Um anônimo

Paulo Freire

Publicado em Pistas do Caminho por 1anonimo em junho 1, 2011

Tenho estudado Paulo Freire no último ano, andei lendo sobre ele em alguns sites como o wikipédia, acabei de ler o Pedagogia da Autonomia e estou lendo o Ação Cultural para a Liberdade.
Ricos em conceitos práticos de como educar a nós e aos outros, usando processos que enriquecem os argumentos críticos sobre os assuntos do dia-a-dia.
Alguns recortes dos livros estão aqui para reflexão.

” A alfabetização, por exemplo, numa área de miséria, só ganha sentido na dimensão humana se, com ela, se realiza uma espécie de psicanálise histórico-político-social de que vá resultando a extrojeção da culpa indevida.”

“A imoralidade e a desordem estão na manutenção de uma “ordem” injusta.”

“Não posso, por isso, cruzar os braços fatalistamente diante da miséria, esvaziando, desta maneira, minha responsabilidade no discurso cínico e “morno”, que fala da impossibilidade de mudar porque a realidade é mesmo assim.”

“Palavra de meu interesse: Paulo Freire, capoeira, corrida de aventura, (danças nordestinas), alimentação saudável,”

“O saber da História como possibilidade e não como determinação. O mundo não é. O mundo está sendo.”

“Se sou puro produto da determinação genética ou cultural ou de classe, sou irresponsável pelo que faço no mover-me no mundo e se careço de responsabilidade não posso falar em ética.”

“A ideologia fatalista, imobilizante, que anima o discurso neoliberal anda solta no mundo. Com ares de pós-modernidade, insiste em convencer-nos de que nada podemos contra a realidade social que, de história e cultural, passa a ser ou a virar “quase natural”. Frases como “a realidade é assim mesmo, que podemos fazer?” ou “o desemprego no mundo é uma fatalidade do fim do século” expressam bem o fatalismo  desta ideologia e sua indiscutível vontade imobilizadora. Do ponto de vista de tal ideologia, só há uma saída para a prática educativa: adaptar o educando a esta realidade que não pode ser mudada. O de que se precisa, por isso mesmo, é o treino técnico indispensável à adaptação do educando, à sua sobrevivência. O livro com que volto aos leitores é um decisivo não a esta ideologia que nos nega e amesquinha como gente.”

A Liberdade e as Drogas

Publicado em Matrix, Pistas do Caminho por 1anonimo em fevereiro 18, 2010

por nuvem que passa

Vamos a questão das drogas, este é um tema muito sério no caminho.
O uso de plantas de poder é uma coisa.
O uso de drogas químicas é outra coisa.
O uso de plantas de poder fora do contexto profundo do xamanismo é outra coisa ainda.
Precisamos começar delineando isso.
LSD, Cocaína, Heroína, Anfetaminas e outros produtos da industria química são resultantes de construção química de substâncias que interferem no funcionamento normal de nosso cérebro e sistema nervoso. Provocam um colapso em nosso sistema nervoso e isto pode levar o primeiro anel de poder e interromper sua atividade ativando o segundo. Entretanto o preço que se paga para isso, vale a pena?

Mas primeiro: Estas entradas fortuitas e descontroladas na segunda atenção nenhum beníficio trazem, muito pelo contrário, podem mesmo confundir uma pessoa e criar patologias psiquícas e físicas da mais diversas. As pessoas às vezes estão tão enfastiadas de seu dia a dia, tão perdidas na confusão que se meteram que acabam procurando caminhos de “esquecimento”.
É para isso que servem as drogas químicas e o uso da maconha nos meios comuns, as pessoas querem “viajar”, querem “esquecer os problemas”, querem ” ficar livres”, mas só isso.

Notem que a proposta xamânica do uso de plantas de poder é outra. Os (as) xamãs sempre usaram plantas de poder para estar mais amplos, mais conscientes, para ir em busca de visões e sinais, portanto nunca para “fugir” da realidade no sentido de negá-la, mas sim ir além da realidade, no sentido de ampliarem-se.

Segundo ponto inconveniente: Causam males enormes a saúde.

Ora, a prática de caminhadas constantes, de exercícios físicos, de uma alimentação sadia, dos exercícios de Tensigridade ou similares tem como objetivo fortalecer o corpo, os(as) xamãs insistem que precisamos estar saudáveis para o que vamos realizar no mundo do poder, que o corpo deve estar forte e flexível, que precisamos de “visceras de aço”.

É então total contra senso fazer uso de substâncias que destroem a saúde com a pretensão de provocar estados visionários, estados cheios de ilusão que servem aos que tem preguiça e não querem de fato transcendencia, mas só algum “agito” a suas vidas rotineiras.
Eu tenho uma pesquisa vasta sobre o tema, coisa que ainda está em andamento e pretendo publicar um dia minhas conclusões sobre esta questão que não é algo simples nem superficial, pois o grau de consumo de álcool e drogas na nossa sociedade é impressionante e o mais preocupante, grande parte das pessoas que entram nesse caminho são justamente as pessoas com mais energia e mais potencialidades num grupo.
Já notaram isso?
As pessoas mais brilhantes e interessantes de um grupo social acabam entrando nestes caminhos e em grande parte acabam tendo efeitos que mexem com toda a vida delas.
Vejam o número imenso de adolescentes e jovens que estão fazendo uso desmedido do álcool, para grande parte da “galera” sair fim de semana é se embebedar muito e “travar” geral.
A pergunta é: Que futuro vão ter? Em termos de saúde psiquíca e física?
Dia desses estava caminhando nas cercanias de uma das cidades onde fico e encontrei numa área de mata que circunda a cidade um grupo “fumando um baseado” .
Quando me viram notei que se inquietaram, então alguém me reconheceu (como dei aula durante algum tempo na cidade sou conhecido como “professor” pela moçada), alguém gritou este termo, eu respondi e ouvi ” beleza, o cara é limpeza” .
Me aproximei do grupo e quando me ofereceram para fumar aleguei que já tinha “matado o meu” e “tava viajando”, assim o grupo me aceitou como “igual”.
Coisa importante para quem lida com adolescentes, eles só te ouvem se de alguma forma se identificam contigo, do contrário podem até fazer de conta que tão te ouvindo, mas no fundo tu és o “estranho” e mil barreiras se erguem.
A intimidade que consegui com meus alunos me revelou muita coisa, especialmente porque na época tinha cabelo comprido e era “o cara que morou com índios”, isto dava um tom de “diferente” que me fez aproximar mais deste pessoal e conversando com eles notei como é inócuo e quase ineficiente toda a campanha oficial de combate as drogas, pois os que tem a tendência para usar criar barreiras a quaisquer doutrinações e cada pessoa que vem falar contra já é catalogado com careta e os ouvidos se tornam moucos a seus argumentos.
Fiquei muito tempo conversando com o grupo e notando o efeito da erva sobre eles.
Ali, eram uns 8, estavam adolescentes de 14, 15 anos.
Qual o efeito da Erva?
Ela apenas os diluia ainda mais, ficavam rindo de bobagens sem fim, enfim para poderem estar presentes sem as barreiras e os medos precisavam fazer uso da erva, porque tudo que faziam naquele estado era “viagem”, assim socialmente justificável e aceito.
Os males que causam a seus organismos ainda em formação e alguns, além de fumar cigarro, ainda me contaram que fumam “crack” que é o lixo do lixo das drogas.
Qual o futuro deles?
Saí dali meditando sobre isso, sobre quantos grupos como esses não existem espalhados só por este Brasil, onde cada vez mais adormecidos e dopados pelo uso indiscriminado de tais substâncias, vão condenando suas vidas e seus futuros, num mundo que já é dificil e predador.
Ora, eles sequer tinham a personalidade formada, como podiam “metabolizar” os efeitos de uma planta de poder?

E é esta a questão que levanto para muitos(as) que alegam usar “plantas de poder” para “expandir a consciência”. Vem a questão colocada por Gurdjieff: Temos que ter consciência para ampliá-la.

Depois aquela planta que fumavam tinha sido plantada num lugar ilegal, colhida por pessoas que tinham como única meta: ganhar dinheiro; traficada por gente que usa da violência como expediente normal.
Que energia estava impregnada nesta planta que usavam?
Assim o uso indiscriminado, para apenas “viajar” que muitos fazem uso de tais substâncias revela que nestes casos não estamos lidando com uma abordagem de “poder” de tal planta, mas apenas mais um sintoma de uma sociedade em crise, em desagregação, em decadência que corrompe tudo que toca.
Assim como esta sociedade mercantilista aproveita de charlatães que fazem de conta que dão cursos e vivências de xamanismo, quando apenas transmitem conceitos tacanhos, sem nenhuma preocupação com os resultados de seu trabalho, apenas vendo no que fazem uma “profissão”, o “dinheiro” também as plantas de poder foram tornadas instrumentos de consumo e de diluição numa ilusão já grande que o mundo vive.

Temos assistido o mesmo ocorrer com o Runipan, que chamam de Ayuasca, com o cacto de São Pedro, com o Peyote e tantas outras plantas de poder que agora são usadas por grupos de pessoas que pretendem um “transe” coletivo, que anseiam por sair desta realidade consumista e degradante , para a qual no entanto voltam sempre que o efeito da planta passa. Se olharmos com atenção para tais pessoas e grupos notamos que apenas se enchem com mais ilusão e fantasia e assim tornam ainda mais difícil o caminho da Liberdade.
Este o principal problema com o uso de plantas de poder, usá- las e não aproveitar nada o seu efeito, as experiências que sob ela experimentamos.

E aí vamos mais longe.
É necessário o uso de plantas de poder?

A resposta não é simples, depende de cada pessoa.
Para algumas pessoas o uso é necessário, até indispensável, para outras é completamente dispensável e existem aquelas que nunca podem fazer uso de tais plantas, sob pena de se confundirem ou mesmo ficarem muito doentes.
Cada caso é um caso e não podemos generalizar.

Mas estamos falando de xamanismo, portanto, vamos deixar claro:
Que uso de substâncias químicas não tem nada a ver com xamanismo, substâncias químicas são resultantes de experiências desta época, que tentam imitar o efeito das substâncias naturais encontradas nas plantas, mas sem o “poder” .
Cocaína , por exemplo, é chamada por muitos de Maldição Inca, segundo alguns xamãs a cocaína está atacando o próprio sistema explorador que domina os povos, o número de executivos que só vive a poder de coca é espantoso.
Para muitos é uma antiga maldição dos povos andinos atingindo os modernos conquistadores.
O uso de remédios deve se enquadrar nesta classe de tóxicos.
Se tu trilhas um caminho xamânico e usa remédios químicos a todo instante, um simples anador, um simples melhoral ou aspirina, pode ter certeza que seu corpo está intoxicado e que tu estás usando drogas.

Se vamos ser precisos em nossa avaliação temos que passar por aí. Remédios químicos para o organismo tem o mesmo efeito que a coca ou heroína para o campo psiquíco.
As drogas farmacológicas viciam o corpo, quanto mais usam um remédio doses mais fortes precisam ser usadas.

O xamanismo é um caminho natural, assim os(as) xamãs mantém seus corpos saudáveis por efeito do uso de ervas e terapias naturais.
Se tens um armarinho de remédios que deixa com inveja muitas farmácias, se dependes de remédios químicos, quaisquer que seja, estás no caso dos viciados em drogas químicas.
O uso sistemático de remédios químicos revela um problema tão grande quanto o uso de drogas químicas.
Destroem as defesas naturais do corpo (crescem as correntes entre epidemologistas que associam a AIDS a um problema muito mais sistêmico que a simples presença do vírus, aliás em toda doença o agente tido como infeccioso é sempre um aproveitador, que entra quando o organismo por causas diversas entrou em colapso)

Portanto, vamos aproveitar o tema “drogas” e definir muito bem o que são drogas:
Drogas são todas as substâncias que agindo sobre o corpo provocam alterações metabólicas que podem imitar o comportamento natural do corpo, mas agem causando dependência e destruição orgânica .
Existem as drogas que atuam sobre a percepção, chamadas de psicodélicas, que os modismos da era hippie e a apologia de certos escritores e artistas fizeram parecer ser “chique”, da “moda”, ” moderno”, usá-las.
A necessidade do transe é comum a todas as culturas, os cultos antigos sempre fizeram uso de plantas alucinógenas para induzir estados de realidades não comuns aos praticantes. Entretanto a forma pela qual isso era feito, a maneira pela qual tais ritos são conduzidos muda tudo.

Fato: A maioria das pessoas que usam drogas se dão mal, mais cedo ou mais tarde. Basta observar, ou estas pessoas “saem da estrada” ou acabam se destruindo. Fora os casos que as pessoas se destroem tanto enquanto singularidades que se tornam incapazes de sair por si, engrossando as fileiras das igrejas fundamentalistas, deixando de consumir drogas químicas para consumir drogas ideológicas, que as tornam dependentes, heterônomas, mas ao menos “produtivas para o sistema “.
Aliás esse fator é muito sério. O sistema tem uma relação muito dúbia com o problema das drogas e só o ataca quando o consumo se torna problema para a “produtividade” do individuo.

E aí chegamos no alcool.
O uso de bebidas alcoolicas é completamente liberado em nosso país. Quem já esteve nos EUA por exemplo sabe como é dificil um menor conseguir comprar bebida ali. Aqui, bebe quem quer.
O uso do alcool é uma questão séria em nossos dias.
Primeiro, idade.
Beber muito com seu corpo ainda em formação é completamente imbecil.
Segundo, qualidade.
Cada porcaria se bebe por aí, vinhos que são pura tintura, wisk que vieram do Paraguai e por aí vai. Os efeitos da ressaca deixam claro a violência que o alcool faz em nosso corpo, mas as propagandas de TV e revistas ainda associam o “glamour” à bebida.

Aí vem o cigarro.
Pra mim, fumar é o atestado mais evidente de que saber intelectualmente de uma coisa não quer dizer nada para mudar o comportamento.
Já notaram que todo maço de cigarro vem com aviso sobre o mal que causa? E os fumantes continuam fumando. Os males do vício anunciados no próprio pacote que o traz, com a esperteza dos donos das industrias que avisam: “tá te matando, se queres continuar é por tua conta e risco”, claro que fazem isso apenas para se livrarem de futuros processos, nem um pouco preocupados com a saúde de quem quer que seja.
E as propagandas de cigarro estão, ao lado das propagandas de bebida, entre as que mais glamour evocam. E sempre no final de propagandas alucinantes, evocativas, que mexem profundamente com os desejos e o simbólico de quem assiste um rápido e insonso aviso: O minístério da saúde adverte” e lá vem um elencar dos males que fumar causa.
Mas proibir nunca foi forma de resolver nada, será que não aprendemos nada com a história? Proibir é sempre uma forma de criar uma aura em torno do que foi proibido que mais atiça a curiosidade.
Eu sou a favor da discriminalização da maconha justamente por isso.
É como o caso da carteira de motorista com 16 anos.
Todo mundo dirige com esta idade, mas o fato de proibir cria um problema ainda maior, tenho vários casos conhecidos de acidentes até fatais, com menores dirigindo, que se acidentaram ao fugir da polícia. Negando o fato, que menores pegam o carro e dirigem, estamos apenas criando um problema maior.
A maconha como está hoje colocada, como crime, acaba levando os usuários a se identificarem com a marginalidade. Isso é muito sério, temos que tomar cuidado com esta aura ainda meio “romântica” que cerca o submundo do crime organizado. É muito perigoso o que está acontecendo, quando o traficante se torna herói e a polícia se parece tanto com o criminoso que julga combater que fica dificil saber de quem correr.

Quantos jovens são chantageados, levam tapas, apanham mesmo, são desmoralizados por policiais quando flagrados usando maconha? Isto acontece todo dia e isto cria uma maior identificação destes jovens com o mundo do crime que com o mundo do contrato social que vivemos.
E viver em sociedade exige um contrato social.
A lei e a justiça tem seus defeitos, tem seus problemas, mas vivemos num estado de direito e isto é deveras importante de ser mantido.
Vá viver numa favela, em guerra entre gangues, para saber o quão é inconseqüente toda idéia que toda autoridade é vã e deve ser suprimida. Quando estamos no mundo do crime organizado não há lei, a vontade caprichosa de alguns se impõe, a vontade imposta pela força, pelo poder e a morte de quem não concorda.
Não vamos ser ingênuos e crer que nosso sistema legal é algo bom e puro, mas ao menos, no estado configurado, no estado de direito, temos instrumentos para uma ação politica e a política é o espaço público nas conformidades da lei, uma lei que é gerada pela necessidade da sociedade, onde a vontade caprichosa de grupos ou individuos não podem ser mais fortes.
Sabemos que ainda não estamos dentro disto 100%, mas o caminho é por aí.

Temos que notar que quando falamos de xamanismo estamos lidando com uma abordagem completamente diferente da realidade, uma abordagem que nada tem a ver com os paradigmas dessa sociedade na qual estamso inseridos.
Lidar com outros estados de consciência não faz parte do que a sociedade cotidiana aceita ou lida.
As linhas psicológicas e psicanáliticas ortodoxas tratam todos os estados diferentes de consciência como patológicos, excessão para psicologias mais arrojadas, porém pouco aceitas, como a transpessoal.
Ainda temos alguns resquícios da inquisição em nosso tempo, os hospícios são um deles.
Assim entrar em outros estados de consciência não é algo que pode ser encarado de forma superficial como tudo o mais que acontece nesta sociedade.
É um tema amplo e sério, mas é bom começar a distinguir que o xamanismo é um caminho de liberdade, assim tudo que limita, que escraviza, que gera dependência, que destrói não pode ser um caminho xamânico.

A Executiva bem-sucedida de Max Gehringer

Publicado em Matrix por 1anonimo em fevereiro 16, 2010

A Executiva bem-sucedida de Max Gehringer(Revista Exame)

Foi tudo muito rápido. A executiva bem-sucedida sentiu uma pontada no peito, vacilou, cambaleou. Deu um gemido e apagou. Quando voltou a abrir os olhos, viu-se diante de um imenso Portal.

Ainda meio zonza, atravessou-o e viu uma miríade de pessoas.Todas vestindo cândidos camisolões e caminhando despreocupadas. Sem entender bem o que estava acontecendo, a executiva bem-sucedida abordou um dos passantes:

- Enfermeiro, eu preciso voltar urgente para o meu escritório, porque tenho um meeting importantíssimo. Aliás, acho que fui trazida para cá por engano, porque meu convênio médico é classe A, e isto aqui está me parecendo mais um pronto-socorro. Onde é que nós estamos?

- No céu.

- No céu?…

- É.

- Tipo assim… o céu, CÉU…! Aquele com querubins voando e coisas do gênero?

- Certamente.. Aqui todos vivemos em estado de gozo permanente.

Apesar das óbvias evidências nenhuma poluição, todo mundo sorrindo, ninguém usando telefone celular), a executiva bem-sucedida custou um pouco a admitir que havia mesmo apitado na curva.

Tentou então o plano B: convencer o interlocutor, por meio das infalíveis técnicas avançadas de negociação, de que aquela situação era inaceitável. Porque, ponderou, dali a uma semana ela iria receber o bônus anual, além de estar fortemente cotada para assumir a posição de presidente do conselho de administração da empresa.

E foi aí que o interlocutor sugeriu:

- Talvez seja melhor você conversar com Pedro, o síndico.

- É? E como é que eu marco uma audiência? Ele tem secretária?
- Não, não. Basta estalar os dedos e ele aparece.
- Assim? (…)
- Pois não?

A executiva bem-sucedida quase desaba da nuvem. À sua frente, imponente, segurando uma chave que mais parecia um martelo, estava o próprio Pedro.

Mas, a executiva havia feito um curso intensivo de approach para situações inesperadas e reagiu rapidinho:

- Bom dia. Muito prazer. Belas sandálias. Eu sou uma executiva bem-sucedida e…

- Executiva… Que palavra estranha. De que século você veio?

- Do 21. O distinto vai me dizer que não conhece o termo ‘executiva’?

- Já ouvi falar.. Mas não é do meu tempo.

Foi então que a executiva bem-sucedida teve um insight. A máxima autoridade ali no paraíso aparentava ser um zero à esquerda em modernas técnicas de gestão empresarial. Logo, com seu brilhante currículo tecnocrático, a executiva poderia rapidamente assumir uma posição hierárquica, por assim dizer, celestial ali na organização.

- Sabe, meu caro Pedro. Se você me permite, eu gostaria de lhe fazer uma proposta. Basta olhar para esse povo todo aí, só batendo papo e andando a toa, para perceber que aqui no Paraíso há enormes oportunidades para dar um upgrade na produtividade sistêmica.

- É mesmo?

- Pode acreditar, porque tenho PHD em reengenharia. Por exemplo, não vejo ninguém usando crachá. Como é que a gente sabe quem é quem aqui, e quem faz o quê?

- Ah, não sabemos.

- Entendeu o meu ponto? Sem controle, há dispersão. E dispersão gera desmotivação. Com o tempo isto aqui vai acabar virando uma anarquia. Mas nós dois podemos consertar tudo isso rapidinho implementando um simples programa de targets individuais e avaliação de performance.

- Que interessante….

- É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma hierarquização e um organograma funcional, nada que dinâmicas de grupo e avaliações de perfis psicológicos não consigam resolver.

- !!!…???…!!!…???…!!!

- Aí, contrataríamos uma consultoria especializada para nos ajudar a definir as estratégias operacionais e estabeleceríamos algumas metas factíveis de leverage, maximizando, dessa forma, o retorno do investimento
do Grande Acionista… Ele existe, certo?

- Sobre todas as coisas.

- Ótimo. O passo seguinte seria partir para um downsizing progressivo, encontrar sinergias high-tech, redigir manuais de procedimento, definir o marketing mix e investir no desenvolvimento de produtos alternativos de alto valor agregado. O mercado telestérico, por exemplo, me parece extremamente atrativo.

- Incrível!

- É óbvio que, para conseguir tudo isso, nós dois teremos que nomear um board de altíssimo nível. Com um pacote de remuneração atraente, é claro. Coisa assim de salário de seis dígitos e todos os fringe benefits e mordomias de praxe. Porque, agora falando de colega para colega, tenho certeza de que você vai concordar comigo, Pedro. O desafio que temos pela frente vai resultar em um Turnaround radical.

- Impressionante!

- Isso significa que podemos partir para a implementação?

- Não. Significa que você terá um futuro brilhante… se for trabalhar com o nosso concorrente. Porque você acaba de descrever, exatamente, como funciona o Inferno…

Trecho do livro Uma Estranha Realidade do Carlos Castaneda

Publicado em Pistas do Caminho por 1anonimo em dezembro 23, 2009

Trecho com um ótimo bate-papo entre Dom Juan e Carlos Castaneda sobre aliado e o caminho do guerreiro retirado do livro Uma Estranha Realidade.

Havia tanta coisa que eu queria perguntar, mas ele não me deu tempo de dizer nada antes de falar de novo.
— Isso me leva ao último ponto que você tem de saber a respeito de guerreiros. Um guerreiro escolhe as coisas que fazem seu mundo.
- Outro dia, quando você viu o aliado e tive de lavá-lo duas vezes, sabe o que havia de errado com você?
— Não.
— Tinha perdido seus escudos.
— Eu disse que o guerreiro escolhe as coisas que fazem seu mundo. Escolhe propositadamente, pois cada coisa que prefere é um escudo que o protege dos assaltos das forças que ele está procurando utilizar. Um guerreiro usaria seus escudos para se proteger contra seu aliado, por exemplo. Um homem comum, que é igualmente cercado daquelas forças inexplicáveis, se esquece delas, porque tem outros tipos de escudos especiais para se proteger.
Ele parou e olhou para mim com uma pergunta nos olhos. Eu não tinha entendido c que ele dissera.
— O que são esses escudos? — insisti.
— Aquilo que as pessoas fazem.
— O que é que fazem?
— Bem, olhe em volta. As pessoas estão ocupadas fazendo o que sempre fazem, São esses seus escudos. Sempre que um feiticeiro tem um encontro com alguma dessas forças inexplicáveis e inflexíveis de que falamos, sua brecha se abre, deixando-o mais suscetível à sua morte do que ele normalmente é; já lhe disse que morremos por aquela brecha; portanto, se ela estiver aberta, a gente deve estar com a vontade preparada para tapála; isto é, se a pessoa for um guerreiro. Em caso contrário, como você, então não se tem outro recurso senão utilizar as atividades da vida diária para desviar o espírito do susto do encontro e assim permitir que a brecha se feche. Você ficou zangado comigo naquele dia, em que encontrou o aliado. Enfureci-o quando fiz enguiçar seu carro e o esfriei quando o mergulhei dentro d’água. O fato de você estar com roupa ainda o esfriou mais. Ficar zangado e frio fez fechar sua brecha, e você ficou protegido, Mas nesse momento de sua vida, não pode mais usar esses escudos com tanta eficácia quanto um homem comum. Você já conhece demais a respeito das forças e agora está finalmente no limiar de sentir e agir como um guerreiro. Seus escudos não são mais seguros.
— O que devo fazer?
— Agir como um guerreiro e escolher as coisas de seu mundo. Você não pode mais se cercar de todo tipo de coisas. Digo-lhe isso muito seriamente.Agora, pela primeira vez, você não está mais seguro em seu antigo modo de vida.
— O que quer dizer, com escolher as coisas de meu mundo?
— Um guerreiro encontra aquelas, forças inexplicáveis e inflexíveis porque ele as está procurando propositadamente, e assim está sempre preparado para o encontro. Você, por outro lado, nunca está preparado. De fato, se essas forças o alcançarem, elas o pegarão de surpresa; o susto abrirá sua brecha e sua vida escapará irresistivelmente por ela. Portanto, a primeira coisa que você tem a fazer é estar preparado. Pense que o aliado vai aparecer diante de seus olhos a qualquer momento e que você deve estar pronto para ele. Encontrar um aliado não é brincadeira, e um guerreiro tem a responsabilidade de proteger sua vida. Então, se alguma dessas forças o tocar e abrir sua brecha, deve tentar propositadamente fechá-la você mesmo. Para isso, precisa ter um certo número de coisas escolhidas que lhe dêem muita paz e prazer, coisas que você possa usar propositadamente para desviar seus pensamentos de seu medo e fechar sua brecha e torná-lo sólido.
— Que tipo de coisas?
— Há anos eu lhe disse que, em sua vida diária, o guerreiro escolhe seguir o caminho com coração. É a escolha constante do caminho com coração que torna o guerreiro diferente dos homens comuns. Ele sabe que um caminho tem coração quando é um com ele, quando sente muita paz e prazer percorrendo sua extensão. As coisas que o guerreiro escolhe para fazer seus escudos são os itens do caminho com coração.
— Mas você disse que não sou um guerreiro, então como posso escolher um caminho com coração?
— Esta é a sua encruzilhada. Digamos que, antes, você não precisava realmente viver como guerreiro. Agora é diferente, você tem de se cercar das coisas de um caminho com coração e deve recusar o resto, senão morrerá no próximo encontro. Posso acrescentar que você não precisa mais pedir um encontro. Agora, um aliado pode vir a você durante seu sono; enquanto está conversando com amigos; enquanto está escrevendo.
— Há anos que venho realmente tentando viver de acordo com seus ensinamentos — disse eu. — Obviamente, não me saí bem. Como posso melhorar agora?
— Você pensa e fala demais. Deve parar de falar sozinho.
— O que quer dizer?
— Você fala sozinho demais. Não é só você que faz isso. Nós todos o fazemos. Temos conversas internas. Pense nisso. Sempre que está só, o que você faz?
— Converso comigo mesmo.
— Sobre o que conversa consigo?
— Não sei; sobre qualquer coisa, imagino.
— Vou-lhe dizer a respeito de que conversamos conosco. Conversamos sobre nosso mundo. Na verdade, conservamos nosso mundo com nossas conversas internas.
— Como o fazemos?
— Sempre que terminamos de falar conosco, o mundo está sempre como devia ser. Nós o renovamos, o animamos com vida, o mantemos com nossa conversa interna. Não só isso, mas nós também escolhemos nossos caminhos, ao conversarmos conosco. Assim, repetimos as mesmas escolhas várias vezes até o dia de nossa morte, pois ficamos repetindo a mesma conversa interna toda vida, até morrermos. Um guerreiro sabe disso e procura parar de falar. Esse é o último item que você tem de aprender, se quiser viver como guerreiro.
— Como posso deixar de conversar comigo mesmo?
— Antes de tudo, tem de usar os ouvidos para aliviarem um pouco a carga de seus olhos. Usamos os olhos para julgar o inundo desde o dia em que nascemos. Falamos com os outros e conosco, sobretudo sobre o que vemos. Um guerreiro sabe disso e escuta o mundo; escuta os sons do mundo.
Guardei minhas notas. Dom Juan riu e disse que não queria que eu fizesse uma coisa forçada, que escutar os sons do inundo tinha de ser feito harmoniosamente e com muita paciência.
— Um guerreiro sabe o que o inundo se modificará assim que ele pára de conversar consigo — disse ele — e deve estar preparado para esse abalo monumental.
— O que quer dizer, Dom Juan?
— O mundo é assim e assado, e tal e tal, só porque nos dizemos que é dessa maneira. Se pararmos de nos dizer que o mundo é tal e tal, o mundo deixará de ser tal e tal. Neste momento, não creio que você esteja pronto para esse golpe monumental, e, portanto, deve começar lentamente a desfazer o mundo.
— Não o compreendo mesmo!
— Seu problema é que confunde o mundo com o que as pessoas fazem. Ainda nisso, não é o único. Todos nós fazemos isso. As coisas que as pessoas fazem são os escudos contra as forças que nos cercam; o que fazem como pessoas nos dá conforto e nos faz sentir seguros; o que as pessoas fazem é muito importante em si, mas apenas como escudo. Nunca aprendemos que as coisas que fazemos como pessoas são apenas escudos e deixamos que elas dominem e transtornem nossas vidas. Na verdade, eu diria que, para a humanidade, aquilo que as pessoas fazem é maior e mais importante do que o próprio mundo.

— O que é que você chama de mundo?
— O mundo é tudo o que está encerrado aqui — disse ele, pisando com força no chão. — A vida, a morte, pessoas, aliados, e tudo o mais que nos cerca. O mundo é incompreensível. Nunca o compreenderemos; nunca desvendaremos seus segredos. Assim temos de tratá-lo como ele é, um simples mistério!

“Mas o homem comum não faz isso. O mundo nunca é mistério para ele e, quando ele chega à velhice, está convencido de que não tem mais nada por que viver. Um velho não esgotou o mundo. Só esgotou o que as pessoas fazem. Mas, era sua estúpida confusão, acredita que o mundo não tem mais mistérios para ele. Que preço triste para pagar por nossos escudos!”.
“Um guerreiro sabe dessa confusão e aprende a tratar as coisas direito. As coisas que as pessoas fazem não podem, de jeito nenhum, ser mais importantes do que o mundo. É assim o guerreiro trata o mundo como um mistério infindável e o que as pessoas fazem como uma imensa loucura.”

O fim do mundo não acontecerá.

Publicado em Pistas do Caminho por 1anonimo em dezembro 22, 2009

Enquanto isso,

aqui na Terra muitas histórias nunca deveriam

ter sido contadas, porque é vergonhoso que tenham acontecido

e ainda aconteçam coisas assim no seio de uma humanidade

que se gaba de sofisticada e inteligente.

Porém, assim são as coisas, social e intimamente

nossa humanidade se dedica a acalentar desejos corrompidos,

diminuindo seu próprio valor através de atos

de duvidosa reputação, dito assim só para tentar

descrever com elegância o horror.

Não é de admirar-se que com o coração cheio de raiva

e vergonha nossa humanidade imagine com alegria

o fim do mundo profetizado para 2012.

Porém, o fim do mundo não acontecerá,

nada nos livrará da dura tarefa de nos reinventarmos através

do esforço amoroso e consciente.

Esse monte de pessoas desorientadas precisa de alguém que lhes brinde com foco. Parece que esse alguém terá de ser você, que apesar de ter esse dom e capacidade não vê a si ocupando esse lugar e função.

A urgência não é boa conselheira atualmente, ela pode ter ajudado você em outros momentos, mas agora tudo que ela diria seria contrário ao bom desenvolvimento de quaisquer planos. Considere as demoras como aliadas.

Neste momento, será melhor evitar a solidão, porque ela não traria agora o mesmo alívio de outrora. Na margem contrária há convites e pessoas requerendo sua presença. Melhor optar pela sociabilidade dessa vez.

Quando nada sair do jeito planejado, você terá duas opções, insistir para que as coisas sigam os planos ou reinventar tudo. Nada obrigará você a nada, você não terá sinal que aponte direção alguma, você terá de decidir.

Mesmo que você sinta a tentação de abrir o jogo a respeito de certos assuntos, vai aqui a dica de que seria melhor conter-se, já que os resultados seriam de duvidosa reputação. Porém, você decide.

Entrar em algumas roubadas ou pagar micos não é muito ruim, porque através dessas situações sua alma tem a oportunidade de contemplar a si mesma encontrando soluções criativas e fazendo dar tudo certo no fim.

Paradoxalmente, a desordem atual não precisa ser organizada ou combatida, mas tida como um sinal que orientaria numa nova direção. Difícil entender a desorientação provocada pela bagunça como uma nova orientação, não é?

Quando as pessoas não sabem o que fazer, poucas serão as que assumirão sua própria incerteza e muitas, por outro lado, as que empurrarão as decisões às pessoas próximas. Em que categoria você se encaixaria?

Você não precisa abdicar da satisfação de seus desejos, mas sim protelar essa satisfação, porque as circunstâncias atuais não sinalizam com facilidade alguma nesse sentido. Quem mal haveria numa demora qualquer?

A desordem é incômoda, mas traz algo interessante consigo. É que sem ela você embarcaria automaticamente nos mesmos programas de todos os fins de ano, mas com a bagunça instalada os planos merecerão revisão e reinvenção.

Apesar da pressão que o tempo exerce, melhor será resistir e deixar para última hora quaisquer decisões. Enquanto isso, dúvidas e dilemas atormentarão mental e emocionalmente, mas você não precisa se deixar levar por elas.

O momento de libertar-se de tudo que limitou seu desenvolvimento se aproxima velozmente e, por isso, você não precisa preocupar-se com tempo, apenas com a qualidade de suas decisões e o resultado das mesmas.

Recapitulação Xamânica

Publicado em Pistas do Caminho por 1anonimo em dezembro 21, 2009

Texto escrito para o grupo Ventania
por Julio César Guerrero
Nuvem que Passa..

Recapitular, como tudo mais no universo dos guerreiros Toltecas é fruto da observação de como funciona a Eternidade.

Os Toltecas sempre agem assim, miram a realidade, descobrem como funciona e então geram suas práticas a partir dessas observações.

Os guerreiros toltecas são antes de mais nada pragmáticos e estratégicos, assim todas as atividades que recomendam tem a ver com o uso mais sóbrio da energia e como se libertar das prisões perceptivas que nos foram impostas.

Também são herdeiros diretos dos desafiadores da morte, dessa forma todas as práticas toltecas estão ligadas a continuidade da vida consciente, de como ir além do apelo de morrer e se dissolver no Mar escuro de energia.

Os miradores toltecas descobriram que o ser humano não foi “criado por uma divindade como ápice e elemento dileto” tal qual creem as religiões monoteistas modernas.

Os videntes descobriram que existimos como sondas avançadas da própria ETERNIDADE.

A Eternidade emanou a si mesma em diversas formas para se conhecer, assim, plantas, animais, humanos, seres inorgânicos, são diferentes aspectos da Eternidade tomando ciência de si mesma.

Plantas, animais, humanos e seres inorgânicos recebem da Eternidade CONSCIÊNCIA, para desenvolver, amadurecer pelo processo de estar vivo e ao final da vida, devem devolver a fonte, a CONSCIÊNCIA transmutada pelo processo de estar vivo.

Este é um dado fundamental para entender as práticas Toltecas, inclusive a recapitulação: A Consciência nos foi emprestada , quando nascemos e será tomada de volta pelo mesmo “MAR escuro da Consciência” que nos a doou.

A consciência está amadurecendo com a existência, assim cada ser humano, quando nasce, ganha a consciência junto com a força vital.

Para os Toltecas é a consciência como um todo que está se desenvolvendo pela ETERNIDADE, plantas, animais, humanos e seres inorgânicos são containers onde esta consciência se concentra e se desenvolve de forma mais intensa.

Cada ser ganha a consciência ao nascer e vai amadurece-la pelo processo de estar vivo, durante as experiências de vida vai amadurecendo e elaborando a consciência.

Ao final da Vida, a fonte que nos doou a consciência a toma de volta, absorve as experiências e as fibras que formaram um ser hoje vão formar outros, no processo contínuo de desenvolvimento da consciência.

Detalhes importantes, o corpo de energia pode ser desenvolvido durante a vida, isso permite uma sobre vida a consciência, uma sobre vida que pode durar dias, semanas, meses, anos, milênios até.

As práticas mortuárias de certos povos de embalsamar seus mortos vem desse conhecimento, quanto mais tempo o corpo for mantido mais tempo o Duplo, o corpo de energia se mantém também.

O detalhe é que, ao ir definitivamente para o corpo de energia, o ser continua de certa forma vivo e consciente, mas perde a capacidade de “agir” neste mundo.

Outros escolheram ir saltando de camada por camada da vasta cebola que é a existência, até hoje estão nessa, vivem um tempo numa dimensão depois vão para outra.

O fato é que ao final de anos, décadas, séculos ou milênios a consciência precisa ser devolvida a fonte e o ser se dissolve. Observando isso, que a ETERNIDADE quer a consciência, os videntes desenvolveram uma forma de entregar a consciência para a ETERNIDADE, sem com isso perder a força vital, a energia vital.

Um dos pilares deste caminho é a recapitulação. Recapitular é reviver tudo que experimentamos, isso gera vários resultados.

Primeiro: quando vivemos um evento deixamos uma parte de nossa energia no evento e levamos a energia das pessoas e coisas conosco.

Assim vamos nos enfraquecendo, pois vamos deixando partes de nossa energia por aí e vamos nos impregnando de energias estranhas a nossa realidade, por isso somos tão presos ao senso social, as convenções do mundo, ao modo de ver da realidade usual e não conseguimos praticar o xamanismo, entrar em outros mundos e tal, estamos impregnados de energias estranhas e carentes de nossa própria energia.

É um fato observável, as pessoas são tudo menos elas mesmas. Recapitular resolve isso, trás de volta a energia que é nossa e devolve a energia de outros que ficou impregnada na gente. Com nossa própria energia restaurada e livres de energias intrusas vamos voltando a ser “nós mesmos” e devolvendo “o que fizeram de nós”.

Sem termos nossa própria energia de volta não vamos conseguir realizar os desafios do Caminho do guerreiro, como por exemplo “sonhar”.

Os exercícios preliminares do sonhar exigem uma quantidade de energia que só é possível se a recuperarmos pela recapitulação, além do que sem recapitular nossa percepcão vai estar presa a eventos tantos que não teremos o foco necessário para o estabelecer do sonhar.

Só com a energia recuperada pela recapitulação conseguimos atravessar os “portões do sonhar”.

Quando recapitulamos criamos um fac símile de nós mesmos, uma cópia de todas nossas vivências e é isto que a FONTE quer, assim quando entregamos essa cópia de tudo a MORTE deixa de nos procurar.

Isto é muito importante, pois precisamos de muito tempo para realizar nossas tarefas que vão permitir chegar ao ponto de atingir a meta máxima dos Toltecas, entrar na TERCEIRA ATENÇÃO com a plena força da VIDA ainda presnte em nós.

Os Toltecas descobriram algo fenomenal, considero uma das maiores e mais complexas descobertas que se pode conceber.

Só encontrei idéia similar no Budhismo e no Taoismo, mas a forma expressa pelos Toltecas é genial, não vamos encontrar nada similar nos ocultismos e esoterismos que vemos por aí.

D. Juan Matus dizia: “Temos que morrer e entregar nossa consciência, mas se pudermos mudar o matiz desse quadro, que mistérios esperam por nós, que mistérios.

É este o caminho tolteca, o caminho dos desafiantes da morte. Ao final da vida, se tivermos energia suficiente, se houvermos recapitulado de forma suficiente, poderemos entregar nossa consciência a Fonte, mas nos mantemos coesos ainda, a Força Vital não é requerida pela fonte, só a consciência.

Esta é uma chave fundamental: a energia vital não é requerida, só a consciência. Se notarmos o cerne de todas as práticas tanto Toltecas, como do Quarto Caminho, como do Budhismo mais esotérico, do Taoismo e de outras escolas, vamos notar que há uma preocupação em gerar ” a consciência de si mesmo”.

Eu vejo isso como um treino, onde treinamos a energia vital para aprender a ser “consciente”, a energia vital vai aprender com a consciência o mistério de “ser consciente”.

Se a energia vital tiver aprendido a ser consciente, a consciência de si que tantas escolas falam, no momento da morte podemos abrir mão da consciência que recebemos e nos apoiando na energia vital, agora consciente, poderemos requerer uma outra “atenção”, nos tornaremos seres inorgânicos e entraremos num estado inconcebível, chamado TERCEIRA ATENÇÃO.

Sobre este estado nada a dizer, só sabermos que ele existe e que devemos INTENTAR com toda força de nosso ser essa possibilidade de realização.

A recapitulação é um dos pilares desse caminho. Não deve nunca ser tomada como uma técnica terapêutica, nem deve ser confundida com nada psicológico, psicanalítico, nada disto, a recapitulação é um ato mágico, uma prática desenvolvida pelos(as) antigos videntes e impregnada do INTENTO deles, assim nenhuma leitura com paradigmas atuais deve confundir tal prática.

A recapitulação é o uso da magia da respiração para varrer os eventos que vivenciamos e tirar deles toda nossa energia que neles ficou e devolver a energia que trouxemos.

As bases mágicas da recapitulação são: Deslocamento do ponto de aglutinação para lembrança – Temos que deslocar o ponto de aglutinação para a mesma posição que ocupava no evento, só assim estaremos mesmo “recapitulando”, não pode ser uma lembrança só intelectual, estas lembranças “mentais” servem de preâmbulo para a recapitulação” mas a recapitulação mesmo precisa de silêncio e recolhimento para que o ponto de aglutinação se desloque até a posição adequada.

Recebemos estímulos diversos do mundo a nossa volta, por isso recapitular em engradados, armários, lugares mais fechados são práticas recomendadas. Lugares de pouca luminosidade e fechados, facilitam a condição necessária para a recapitulação, porque ao recebermos pouco estímulos da realidade circundante favorecemos o deslocamento do ponto de aglutinação.

Não é recomendado recapitular em lugares abertos, salvo ocasiões quando estamos num local de forte vivência passada e sentimos que nosso ponto se desloca de volta ao momento do evento por si mesmo.

Nem todo mundo tem a sorte de ter uma caverna a disposição para a prática, uma caverna é perfeita. Os videntes sabem que existe uma força que nos acerta a todo instante, é chamada de “derrubador” e é a força pela qual a morte vem. Mirando, descobriram que debaixo da terra essa força não nos atinge, a Terra, como é um ser vivo, bloqueia com sua superfície está força.
Assim, dentro de cavernas, temos a ausência dessa força nos atingindo e ainda a força da consciência da Terra nos ajudando. Quem tem medo de lugares fechados deve procurar recapitular os eventos que geraram esses medos e assim se livrar deles. O medo é o primeiro inimigo de quem busca o conhecimento.

Discordo nessa questão de “evocar o nascimento” ou “posição fetal”, CC adverte muito sobre isso, não tornar a recapitulação um exercício de psicanálise, o isolamento e o escuro para a prática são recomendados para facilitar o deslocamento do ponto de aglutinação, nada mais que isso.

A prática da recapitulação está impregnada do INTENTO dos antigos videntes, então é só começar, insistir e insistir e num certo momento este INTENTO te pega e então te conduz, com intuições e ajustes da prática. É com este INTENTO que precisamos nos alinhar, não com explicações intelectuais do tonal atual.

A respiração é simples: inspira para trazer de volta a energia nossa que está na cena ou com as pessoas, do evento recapitulado e expira para devolver a energia do ambiente ou das pessoas que ficaram em nós.

Recomenda-se colocar o queixo num ombro ( geralmente o esquerdo) e então inspira e vai absorvendo de volta nossa energia que ficou, depois expira indo do ombro direito para o esquerdo, devolvendo a energia que ficou em nós e não é nossa.

Deve-se expirar e inspirar várias vezes, “varrendo” toda a cena do evento, quando sentir que terminou recomenda-se levar o queixo ao ombro esquerdo e fazer um movimento sem respiração de mover o queixo do ombro esquerdo ao direito e voltar, essa “não respiração” encerra o recapitular e rompe os elos para que fiquemos com nossa energia e a cena ou evento leve a energia deles.

Há uma “visualização” de apoio, mentalizarmos fibras de energia que existem abaixo do umbigo como “aspiradores ” desta energia. Eu costumo visualizar estas fibras como “magnetos”, as sinto como tentáculos magnéticos . Elas absorvem toda a energia da cena e da pessoa recapitulada e depois por elas, sai toda a energia estranha que ficou impregnada. É muito importante essa visualização das fibras pois um dos objetivos da recapitulação é despertar e liberar essas fibras que temos nesta parte do corpo.

Recapitular dura a vida inteira. Depois de anos recapitulando descobre-se que se está apenas começando, que de inicio estamos só limpando o mais grosso, que leva muito tempo prá gente deslocar de fato o ponto de aglutinação.

Mais ainda, a vida da gente tem camadas, é incrível como só estamos atentos a uma camada muito superficial da vida, passamos pela “superfície” da vida, podemos dizer, a medida que recapitulamos vamos descobrindo camadas mais profundas no mesmo evento.

Percebemos energia de eventos, registramos nuanças super profundas de pessoas e situaçoes que nao “registramos ordinariamente” . Então, recapitulando uma cena que a gente já julgava “resolvida” vamos nos surpreender descobrindo que estávamos vendo energia naquela cena, ou percebendo coisas muito fortes que a memória “comum” não registrou.

Parlamento Aberto

Publicado em Dados Públicos por 1anonimo em outubro 21, 2009

Aloha,

Informações sobre o projeto de extração de dados (Dados Públicos)

O projeto de extração de dados está em processo de integração com os coletivos parlamento abertoEsfera – Nova comunicação, nova política, nova esfera pública. Estamos unindo força para desenvolver de forma rápida e padronizada a extração dos dados públicos.

A Esfera organizou o 1o. Transparência Hack Day #thackday, o evento aconteceu em São Paulo no início de Outubro de 2009 e contribuiu para a união das diferentes iniciativas. Estarei contribuindo na raspagem de dados, tradução e desenvolvimentos de novas idéias.

Gostaria de indicar um texto do Helder Ribeiro sobre Democracia Líquida, as idéias do novo modelo de política e organização estão sendo moldadas e é de se esperar a participação de todos.

na paz,

1o Transparência Hack Day

Sites da semana

Publicado em Dados Públicos, Matrix, Pirata, Pistas do Caminho por 1anonimo em setembro 11, 2009

GovTrack

GovTrack is an open source project (more about the site) and promotes the notion of open data. You can join in in the development of GovTrack or use our source data and APIs to build your own site.

http://www.govtrack.us/

HackingCongress

HackingCongress is a new hub for projects at the intersection of civics & technology, fostering civic engagement and education, advancing government transparency, and supporting communication with government. (“Hacking” has a dual meaning in the computer world and in this case it is positive slang for creative programming.) The focus of this site is on projects related to the U.S. Congress and state-level legislatures.

http://www.hackingcongress.org/

Sunlight Labs

We’re a community of open source developers and designers dedicated to opening up our government to make it more transparent, accountable and responsible. We need your help.

http://sunlightlabs.com/

YAOHUSHUA

Conforme nos foi ensinado pelas escrituras, procuramos praticar o “de graça recebestes, de graça dai”. Nosso objetivo principal é dar acesso ao público às informações escriturais que a imensa maioria desconhece, com ênfase no verdadeiro e único Messias escritural.

http://www.antares.com.br/~uzulyao/index.html

Sites da semana

Publicado em Dados Públicos por 1anonimo em julho 24, 2009

LexML

Já ouviu falar do LexML? Trata-se de um portal especializado em informação jurídica e legislativa. Pretende-se reunir leis, decretos, acórdãos, súmulas, projetos de leis entre outros documentos das esferas federal, estadual e municipal dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário de todo o Brasil: uma rede de informação legislativa e jurídica que pretende organizar, integrar e dar acesso às informações disponibilizadas nos diversos portais de órgãos do governo na Internet.

www.lexml.gov.br e http://projeto.lexml.gov.br/

BLOG DO TSAVKKO – THE ANGRY BRAZILIAN

Lieberman no Brasil: Coletiva de imprensa e fotos
http://tsavkko.blogspot.com/2009/07/lieberman-no-brasil-coletiva-de.html

Lula e suas “Biografias”: Gilmar Dantas agradece [Update]
http://tsavkko.blogspot.com/2009/07/lula-e-suas-biografias.html

Lieberman no Brasil: Israel, Genocídio e… Serra. [Update]
http://tsavkko.blogspot.com/2009/07/lieberman-no-brasil-israel-genocidio-e.html

Gisele Santos da Silva

Estudo Massoterapia, Terapias Vibracionais, Reiki, Numerologia e Tarô Terapêutico… Em todos estes anos de estudos e pesquisas percebi que são nossas capacidades que definem quem somos, mas sim nossas escolhas e que se você não está se sentindo satisfeita com algo em sua vida lembre-se sempre que você recebe aquilo que emite! Namastê!

http://www.filosofia-esoterica.blogspot.com/

Enteógenos

Ayahuasca, plantas de poder e outras substâncias que podem abrir percepções espirituais.

http://enteogenos.wordpress.com/

JOTA BÊ – CIÊNCIAS DA RELIGIÃO

Nesta matéria trataremos, literalmente, de uma questão de vida e morte. Aqueles que se recusam discutir sobre o assunto não percebem que estão tentando fugir do inevitável e que seu silêncio não os poupará de ter de enfrentar estas realidades da existência humana. Vida e morte não são apenas assuntos de debate para filósofos e teólogos. É o próprio cerne do universo e de tudo o que nele se encontra. O que é a vida? O que é a morte? Mesmo quem não se preocupa com estas perguntas, terá de encarar as respostas.

http://joaobosco.wordpress.com/

Sites da semana

Publicado em Pirata, Pistas do Caminho por 1anonimo em julho 18, 2009

O resultado do 1º FMPB e o Manifesto Música para Baixar (MPB)

O resultado do 1º Fórum MPB foi excelente, com debates de alto nível e esclarecedores a respeito do que se trata o Música para Baixar e os desejos de músicos e autores de se libertarem das amarras do velho modelo de mercado da música.

O Manifesto desse movimento, escrito por várias mãos já atuantes do Movimento MPB, está já concluido e  arrecadando assinaturas e adesões. Para artistas, músicos, compositor@s, fãs, pesso@s em geral, geeks, cidadãos e cidadãs desse país que acreditam na liberdade e na música livre assinem lá e vamos todos aderir ao Movimento que debaterá no Brasil o Futuro da Música, o direito autoral atual e suas consequências para a sociedade do futuro. Vamos lutar para melhorar as relações humanas e pela descriminalização do compartilhamento da música, porque não tem sentido proibir a todos de serem livres, inclusive e principalmente artistas e compositor@s. O Movimento Música para Baixar é a favor do artista, do músico, do compositor, do mundo livre, da cultura livre, da maioria.

http://musicaparabaixar.org.br/?p=253

Respeite.me

Respeite.me é o espaço do Cidadão na Internet. Aqui você pode exercer sua cidadania expressando sua opinião sobre aquele Politico que esta lhe representado.

http://www.respeite.me/

Cultura Digital

O conceito de cultura digital não está consolidado. Aproxima-se de outros como sociedade da informação, cibercultura, revolução digital, era digital. Cada um deles, utilizado por determinados autores, pensadores e ativistas, demarca esta época, quando as relações humanas são fortemente mediadas por tecnologias e comunicações digitais.

http://www.culturadigital.br/

Criança do Futuro : Waköpünska Karipuna!

Sou um mestiço brasileiro. Pareço branco, mas não sou caucasiano. Tenho sangue karipuna, dos karipunas do Rio Jamary, hoje quase extintos nos sertões do Guaporé. O resto de minha origem (portugueses do Ceará, holandeses do Sergipe, espanhóis do Pantanal, alemães do Paraná e italianos do Rio Grande do Sul) pouco me explica. Sou brasileiro dos quatro costados e, mais que isso, um hominídeo do continente Amarakka. Estrangeiro em minha própria terra, quero poder falar a língua universal da Paz, e ter como repousar minha cabeça: por isso escrevo nessa areia e nessa arena virtual.

http://karipuna.blogspot.com/

Grupo “Umbanda dos Pajés”

O grupo “Umbanda dos Pajés” surgiu a partir de uma idéia de pesquisas do Pai Bitty de Ogum, do Terreiro do Pai Maneco.

Interessado em estudos diversos, na ancestralidade indígena e nas próprias raízes da Umbanda, religião brasileiríssima (“é a cara do Brasil”, diria ele), Pai Bitty acabou encontrando, recentemente, mais pessoas interessadas nesses estudos e vivências…

E, animados, pretendemos neste blog ir compartilhando de nossos estudos, experiências, vivências e – por que não? – dúvidas…

Bom, é isso! Um grupo do Terreiro do Pai Maneco, interessado em vivências, estudos e pesquisas da “Umbanda Ancestral”!

Salve a nossa Umbanda! Salve a Grande Luz!

Okê Caboclos!

http://umbandadospajes.blogspot.com/

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